Folha de Amora: Quem foi a sua criança?

Folha de Amora. Quem foi a sua criança? O que ela mais gostava de fazer? Quais eram os seus sonhos? Como ela enxergava o mundo? Onde ela se perdeu?

A minha criança andava descalça, gostava de subir em árvore e comer fruta no quintal. Colhia as folhas mais aromáticas e fazia misturinhas que chamava de perfume. Pitanga, alfavaca, folha de limão. Observava as formigas e ficava imaginando como seria a vida dentro do formigueiro.

A minha criança inventava histórias. Escrevia peças de teatro em que ela atuava como personagem principal. Criava textos para a confecção de livros que ganhavam ilustrações das amigas. A Lô pequena gostava de cuidar das pessoas. Estava sempre fazendo massagem na vó, cafuné pra tia dormir, lanchinhos para o avô.

Ela amava subir em árvore e escalar. Escalava muros, pedras, montes, cachoeiras. Essa menina parecia não tinha medo de NADA. Mas eu lembro de um medo que ela tinha e guardava em segredo. Era o medo de não brincar. Os finais de tarde não eram bem-vindos. Sempre melancólicos, quase tristes. A hora de dormir chegava e ela não queria mergulhar naquele silêncio e escuridão. Aquela quietude era assustadora demais para ela que tinha tanta coisa pra inventar, energia pra gastar e uma criatividade sem fim.

Em algum momento essa criança se feriu. Em algum momento o seu maior medo se tornou realidade e ela acordou depois de uma dessas noites assustadoras e acreditou que não podia mais brincar. Pensou que todas aquelas histórias eram bobagens e que querer saber da vida das formigas não tinha nenhuma utilidade neste mundo. Subir em árvore e escalar ficou perigoso demais e cuidar das pessoas machucava.

Em algum momento nossa criança se perde, por não saber trilhar o caminho ou por não querer seguir nossos passos. Em algum ponto da nossa jornada pode acontecer de abandonarmos nossa criança com receio de não sermos levados a sério. Com medo que ela nos enfraqueça, nos torne bobos e vulneráveis.

Enquanto essa parte da nossa essência for excluída das nossas vidas. Enquanto fizermos questão de esquecer e abandonar esse pedaço da nossa história vamos ser adultos chorões e pirracentos. Homens e mulheres magoados e com medo do escuro. Vamos sempre esperar por recompensas e evitar o castigo, procurando ser bons meninos, boas meninas.

O reencontro se faz urgente. Nossa criança está em alguma gangorra esperando companhia para brincar. Pode ser que ela esteja querendo atenção para contar uma história ou um empurrãozinho para escalar o muro.

Eu reencontrei a minha criança na amoreira da minha infância, onde eu ficava com a boca e língua roxa. Minhas mãos eram pequenas pra segurar tanta fruta. E eu disputava com a minha irmã quem pegava mais. Essa árvore, tão antiga quando a casa onde fui criada, fazia sombra para as tarde de sol e sempre teve as folhas mais bonitas do quintal!

Nós sabemos bem onde encontrar nossa criança. E onde ela estiver, estará a nossa força. Ela representa o começo.
A infância é raíz. Você já viu alguma árvore forte com raízes fracas?

Acolha a sua criança, faça as pazes com a sua infância. Pode ter sido doloroso, mas muitas coisas lindas também aconteceram lá. Esse resgate pode trazer a lembrança de quem você É. E é nesse pequeno espaço-tempo que a magia acontece e muda TUDO!

 

 

Clique para acessar o perfil da Lô!

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: