“a porra do vídeo daquele moleque não sai na internet pra eu terminar a porra da crônica”

Eu cheguei ao fundo do poço. Aconteceu umas três semanas atrás. Desde domingo eu não dormia direito.

Era quarta. Enfim. Quatro e meia da madrugada e eu tava com olhos ardendo, por que A Merda Do Sono Não Chegava! Me desculpem. Não pelos palavrões, acostumem-se. A intensidade de alguns momentos só pode ser exprimida com o uso de palavrões. Desculpa porque percebi agora que esse título vai parecer que é muita coisa, mas num é nada disso que ceis tão pensando. E necessário ler até o final pra não julgar o colega.

Voltando.

Três e meia da manhã e eu mexo sistematicamente na cama. Eu acordo a Vanessa sempre. Ela fala que não, mas eu sei que sim. Vim pra sala. No decorrer da noite, a certa altura da madrugada e após zapeadas insalubres pelo YouTube, me percebi assistindo a vídeos das melhores apresentações de American Got Talente. Eu tava vendo. E eu tava curtindo! Pra caralho!

Não foi fácil perceber o que eu tava fazendo. Não que eu despreze o programa, eu curto, é verdade. Mas são quatro e meia da madrugada e você tem um mar de internet, e eu nem queria me aprofundar em nada. Foi o fundo. A insônia tinha ganhado. Depois desse dia eu percebi o quanto tempo da minha vida eu já perdi por não dormir. Foi bom, percebi finalmente como tudo isso é inconveniente. Eu tô tentando dar um basta. Eu tô tentando dormir mais tranquilo. Tá difícil. Enfim. É uma coisa muito doida gente, a minha mente às vezes divaga por coisas que nem eu sei como cheguei nesse ponto. Até no texto eu faço isso. Tão vendo? Esse trecho acima saiu no fluxo. É tenso. Eu penso sobre tudo e qualquer coisa durante a madrugada. Uma vez eu me vi lembrando de uma aula na quarta série, de uma professora que tava ensinado sobre a puberdade e a turma ficava toda risonha besta. Sem graça. Como a gente era idiota às vezes.

Eu sou sincero demais, acho que tenho que diminuir isso.

Enfim. Vanessa, no momento em que escrevo esse texto, tá em Florianópolis. Foi a um congresso. Estávamos conversando no whats up e eu percebi de forma arrebatadora que um garoto simplesmente ousou cantar “Mais uma vez” do Renato Russo no The Voice Brasil. E pasmem, eu achei o máximo. Na hora que ele cantou eu fiquei doido. O Lulu chorou, enfim. Não sei se isso quer dizer alguma coisa também. A parada é que eu ouço um pouco menos do que a maioria das pessoas, então a TV tava ligada, eu tava vendo, mas não alto o suficiente. Na hora desse moleque eu pensei que ele talvez tivesse cantando aquilo extremamente certo. Foi legal. Foi totalmente diferente. E eu tinha tudo pra ficar com o pé atrás com o menino. Mas foi arrebatador. Eu aumentei o som, foda-se. Meu vizinho de baixo tava vibrando a plenos pulmões. Ele vibra vendo televisão diariamente.

E eu então pensei:  será que foi tão bom ou eu que fui pego desprevenidamente numa memória afetiva por uma música de um cantor que você já gostou muito mas (respira) há muito tempo não ouvia? Perguntei pra Vanessa se ela tinha visto. Ela disse que não. Eu pensei: cacete.

Como é que eu ia descobrir quem era aquele cara e ver se ele cantou bem mesmo? Eu comecei a me questionar. Mas como achar isso: Na internet, lógico. Entrei no site do programa e tinha uma galeria de vídeos sobre a edição de hoje. Não tinha ele, que aflição. Renato Russo já tinha aparecido no meu sofá perguntando sobre a minha traição. Rolou até DR mental. Já no whats app, tava falando igual um louco, um monte de coisas que ela não conseguia acompanhar, no afã perguntei:

Esse print também demonstra a importância das aspas no título.Eu já queria procurar no Facebook. Isso é desespero. O vídeo não saiu. E aí vocês tão se perguntando. Quem é a porra desse moleque? Sei lá, não lembro do nome. Não deu tempo de aprender. E a porra do vídeo não sai no site. Como é que vou saber?

Resolvi vir escrever, coloquei Belchior. Eu amo. Daí eu percebi que não queria ouvir nada. Desliguei a TV. Não, não por causa da música anterior, mas vi que só consigo escrever em silêncio. Sempre foi assim. Desisti do vídeo do moleque. Esse texto foi escrito de lembranças.

Vale a pena dizer que apesar dos meus esforços relatados acima, isso que está sendo lido, foi terminado por volta de duas e trinta da matina.

Vale dizer também que eu pensei em pedir um hamburgão (quem passa pela insônia me entende), mas daí comi algumas rosquinhas de chocolate integral. A gente sabe que não é nada ligth, mas adora se enganar com a integralidade dos alimentos, como se aquilo automaticamente o deixasse muito mais saudável e compensasse as montanhas de açúcar.

Inferno. Até que enfim saiu o vídeo do moleque. Ele chama Artur Sena.

Taqui a porra do vídeo.

https://globoplay.globo.com/v/6230471/programa/

Eu achei massa. Ceis podem não gostar. Não vou brigar não. Eu talvez tenha ficado obsessivo. TV tem dessas coisas, pega a gente desprevenido e às vezes e surpreende. Mas enfim, Esse poderia ser um daqueles textões chatos que a gente fala de intermidialidade, convergências, e outras coisas que ficam chatas de escrever chata chata pra caramba chata de ler chata. Emoções são mais legais. São pessoais e intransferíveis, fiz o melhor possível pra vocês entenderem as minhas nessa porra de textão de facebook.

Beijo Proceis.

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