Pra onde mando sua correspondência, senhor?

As várias mudanças na vida de recém recém casado.

É foda.

Durante dias pensei em como abordar esse tema. A frase acima veio de supetão no momento em que abri esse documento do word, e traduz muito bem meu estado sentimental. Não se enganem, casar é uma delícia sim. Não tenho nem um mês de experiência, mas até agora é lindo. Foda é o restante.

Um turbilhão de sentimentos que a gente não fazia ideia que tinha se apresenta. Saudades de casa, da família, dos seus animais domésticos, da vista que a gente tinha da janela do quarto ou do canto de alguns passarinhos de manhã. Vontades repentinas de chorar no meio da noite, ou do dia, de uma conversa com alguém, ou na hora que se escreve um texto… Saudade é foda. Faz a gente se lembrar de coisas que nem sabia que gostava.

Outra dificuldade é adaptação, dia desses, por exemplo, tava lá em casa (ops, na casa da minha mãe…). Mudar o referencial de casa é doido. Mudei de um bairro periférico onde vivi a minha vida toda, pra outro mais movimentado, barulhento, impessoal. Percebo isso agora. Anteontem quase entrei no ônibus errado. O motorista estudou comigo na infância, sabe onde eu moro (eita nóis: morava), quando me viu chegar no ponto abriu a porta. Por dois instantes eu quase entrei. Lembrar que estava pegando o ônibus pra casa errada é foda. Bate forte no estômago. Não é menos pior do que efetivamente pegar o ônibus errado. O que já aconteceu comigo, afinal, quando a gente muda pra um lugar novo, precisa descobrir as linhas que passam por ali. Já peguei três ônibus errados e os risquei da minha lista. Acho que essa é a versão mais simples possível do clichê “aprendam com seus erros”.

Não desanimem com tudo isso que tô falando. Existem várias delícias de casar que a gente nem imagina. Como por exemplo, dar seu toque especial à sua casa, chegar da rua e encontrar quem você ama no sofá, vendo TV, abrir uma garrafa de vinho e conversar, conversar, conversar. Conhecer uma vida diferente, arriscar crescer. É um risco, claro, mas se joga, aprende.

Meu herói preferido nunca foi um herói. Eu sempre admirei Peter Pan pela habilidade simples de nunca crescer. Ser criança é uma delícia, tenho orgulho de ter sido uma criança que tinha consciência disso. Infelizmente, Peter Pan é só uma história. Crescer é obrigatório, sinal de que estou vivo. Aos 18 anos eu achava que com 30 seria um velho. Hoje, pouco mais de um mês de completar esses 30, vejo que a nossa cabeça muda demais com o tempo, e aceitei que meu pensamento atual não será minha última forma de pensar.  Uma salva de palmas para as mudanças. A gente nunca sabe o que está por vir.

Anos atrás, por exemplo, jamais imaginaria que estaria onde estou agora. Imaginava que só me casaria pelo “sexo a qualquer momento”. Coitado do antigo eu. Casar é mais sobre confiança que por outra coisa. É acreditar que seus segredos estão a salvo com essa pessoa, e que os dela estão contigo. Não é por chantagem, como eu disse, é por confiança. Casar é se confundir com as chaves novas, é encontrar alguém com quem você está disposto a dividir seus hábitos intestinais. Tudo que vier depois disso é reconhecimento de sua humanidade inevitável. Aceitar imperfeiçoes faz parte do pacote, aliás, é exatamente isso o que torna tudo tão divertido.

Beijo procêis.

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