Amor sem-teto 

Por Lo-Huama Marques
Juiz de Fora

Tenho andado pensativa com a proximidade do dia dos namorados e todo o alvoroço que essa data costuma provocar na maioria das pessoas. É fácil perceber como o dia 12 de junho divide opiniões e mexe com o imaginário e o emocional do povo em geral.  Eu observo que, de um lado, estão os casais apaixonados que expressam seus sentimentos (verdadeiros ou não) aos quatro cantos das redes sociais e, do outro, estão os solteiros (recalcados ou não), enfatizando como a vida solo pode ser uma verdadeira Disneylândia repleta de diversão. Esses, estão tão apegados a sua “liberdade”, que já não conseguem se imaginar sem ela. Curiosamente, eles chamam isso de desapego.

E eu, no meio disso tudo, só consigo pensar no fato de que nunca estive tanto tempo sozinha em toda a minha vida adulta. E antes que comecem a sentir “dó” da minha pessoa e me recomendem aplicativos de relacionamento, me apresso em dizer que eu também nunca amei tanto quanto amo agora. Doido isso, né? O mais doido é começar a engatinhar nesse mundo do Amor e descobrir que dá, sim, para amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Dá pra amar uma galera ao mesmo tempo! E dá até pra amar aquilo que nem pessoa é!

Entenda, eu não estou falando de sexo. Não ando praticando o poliamor, minha gente! O assunto aqui é outro.  Eu estou dizendo que é possível nutrir o sentimento de Amor por tudo o que existe nesse mundo! Não confundam as tretas! Mas já te adianto que essa história de amar todo o mundo vai acabar te afastando de sexo!

Eu já explico. É que quando esse tal de Amor começa a brotar na gente, ele vai empurrando pra fora algumas coisas que não deixam ele se manifestar direito. Ele, o Amor, precisa de espaço para crescer e convenhamos que com tantos contatinhos te chamando pra um encontro casual, ele não consegue se fixar e encontrar morada nessa casa tumultuada que você se tornou. Amor é bicho sistemático! Gosta de bagunça não! Talvez seja por isso que a maioria das pessoas fuja tanto dele! Às vezes, é difícil sair do sofá e arrumar a casa pra receber visita. Mesmo sabendo que a visita vai trazer flores e a nossa broa de fubá favorita, nossa bagunça é tão familiar, tão aconchegante e tão nossa, que não queremos nos desfazer dela. Pois bem! O amor fica esperando do lado de fora com as flores murchando… A broa esfriando… Enquanto isso, você se arruma pra curtir mais uma balada e se anestesiar com os mesmos hábitos e companhias de sempre!

 Mas como trazer o Amor pra nossa vida? Acredito que primeiro é preciso ter em mente que ele nasceu conosco. Ele esteve dentro de nós por muito tempo naquela época em que a gente sorria para os amigos dos nossos pais sem nem conhecê-los ou quando gostávamos de todos os nossos coleguinhas de classe, independente de cor, credo ou aparência física. Lembra como você ficava entusiasmado com uma borboleta voando no jardim ou com aquela flor que você colhia pra levar pra sua mãe? Todas as vezes que nos deleitávamos com um simples bolo de chocolate feito pela nossa avó num dia qualquer ou as vezes que sentíamos compaixão por algum moço que víamos deitado na rua, também era manifestação de Amor. Na medida em que sentimentos arraigados na sociedade, como medo, egoísmo e competição foram firmando raízes em nós, o Amor foi perdendo espaço até que o expulsamos de vez. O amor ficou sem teto!

O segredo, então, seria simplesmente desocupar o espaço, que sempre foi dele por direito! Comece pelos inquilinos menos resistentes. Vai dando ordem de despejo para aquelas pessoas que nem fazem tanta questão da sua companhia e estão em outra sintonia, se despeça do hábito de falar da vida alheia e da autopiedade! Logo depois, você desapega das coisas materiais e começa a colecionar sorrisos e contabilizar abraços, varre o egoísmo, a culpa e a inveja e tranca as portas para tudo aquilo que, de alguma forma, tira a sua paz! O Amor é amigo íntimo dela!

Percebendo toda essa movimentação de energia, o Amor vai colocar um pezinho dentro da casa que um dia foi dele e se encarregará de empurrar, ele próprio, os sentimentos mais difíceis de serem abandonados por nós. A dinâmica é simples se formos parar para pensar! Dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Quanto mais vazio estivermos, mas espaço sobra para o Amor se acomodar. Não deixemos o amor desabrigado!

Para o dia dos namorados, não te desejo Mozão, nem Crush e nem Contatinhos! Porque o que a gente precisa todos os dias é de Amor!

 

Sobre a autora: Libriana apaixonada pelo belo e simples da vida! Jornalista por formação, desaprendi, na Faculdade, a escrever com o coração! Instrutora de yoga e eterna buscadora de mim mesma, resgatei a mágica das palavras nessas linhas tortas por onde ando e me equilibro.

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2 comentários

  1. Ah. Que bela reflexão. Não só para 12 de junho mas para todos os dias do ano. Ao longo do texto pude me deliciar com os exemplos que foram dados – que coisa boa pensar num amigo, numa mãe, numa broa… Que todos possam ter mais sensibilidade no olhar e mais espaço para o amor como proposto pela autora 😉

  2. Fantástica forma de abordagem sobre esse tema tão adormecido ultimamente. Faz a gente pensar e refletir muito no que diz respeito ao amor moderno e o que realmente queremos para nós.
    A Lo é uma escritora nata, sempre com leveza nas palavras e grandiosidade de ideias.
    Parabéns pelo texto, tenho certeza que vai tocar muita gente.

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