MeetUp de Empreendedorismo Social

Negócios Sociais, Peregrina e Projeto Vivart: vem ver o que rolou no último evento.

No último dia 17, tive a honra de compartilhar um pouco do que venho lendo e vivenciando sobre Empreendedorismo Social na 2ª edição do MES – MeetUp de Empreendedorismo Social de Juiz de Fora. O evento, que tem como intuito fomentar ideias e negócios de impacto social na cidade é feito 100% de forma voluntária e colaborativa. Além de mim, o MES teve a participação do Guilherme Oliveira e do Rafael Pavel, do Projeto Vivart.

Minha fala começou a respeito de um insight que sempre tenho em palestras, cursos ou quaisquer eventos sobre empreendedorismo, que despejam uma infinidade de conteúdo sobre novas tecnologias, novas formas de produção, de aumentar o lucro etc, que é o seguinte:

“Nós já desenvolvemos tecnologia suficiente pra ir à Lua, mas não damos conta de resolver, por exemplo, o problema da fome de bilhões de pessoas pelo mundo”. Então, por mais que as novas tecnologias e as diversas inovações tenham, sim, seu valor, nenhuma delas faziam o mínimo sentido pra mim e eu ficava bem desanimada.

Então, conversando com amigos e profissionais sobre meus anseios enquanto empreendedora, desde que trouxe a Peregrina para o Brasil, descobri que existia um tal de Negócios Sociais – isso era meados de 2015.

Nesse sentido, podemos dizer que os Negócios Sociais nascem de um incômodo, de um desconforto com o sistema vigente e com a vontade de solucionar problemas.

Nessa palestra no Ted Talks, Michael Porter fala sobre como o business pode ser uma excelente ferramenta para resolver problemas sociais. Segundo ele, o que difere a nossa época das outras é que hoje temos muita consciência de todos os problemas. “Então, por que a gente tem tanto problema em resolver esses problemas?”, questiona.

A explicação que ele dá é que a gente não consegue escalar o que as ONG’s fazem porque não existe recurso o suficiente pra isso. E aí ele defende que somente o business pode criar recursos, através do lucro. O lucro, nesse caso, é a mágica! Isso porque a partir dele você pode ESCALAR os benefícios/resultados. Por exemplo, se na ONG temos um DOADOR e ele doa UM DÓLAR pra essa ONG, esse um dólar é doado uma vez e acaba. Em um Negócio Social, uma vez que o investidor coloca UM DOLAR na empresa, essa mesma quantia vai gerar lucro e esse um dólar vai se transformar em mais um dólar e é assim que podemos escalar o impacto.

Ainda segundo Porter, existe um trade off entre performance social e econômica. No modelo convencional, o lucro vem de negócios que CAUSAM problemas sociais. Um exemplo disso é a poluição de uma indústria, o problema da exploração da mão de obra e até a escravidão de pessoas em indústrias de diversos segmentos. No NOVO PENSAMENTO, o lucro vem de Negócios que RESOLVEM problemas sociais ou ambientais.

MAS AFINAL, O QUE SÃO NEGÓCIOS SOCIAIS?

Então, a gente pode dizer que os Negócios Sociais são um ponto de intercessão das empresas tradicionais, já que eles precisam ser competitivos e gerar lucro como qualquer outra empresa, mas se aproximam das ONG’s por terem como principal objetivo da sua existência resolver um problema socioambiental.

Mas, diferente das empresas normais, os NS não pressupõem a maximização do lucro. E outra: o lucro gerado é totalmente reinvestido no Negócio.

MUHAMMAD YUNUS E O GRAMEEN BANK

É quase impossível falar de Negócios Sociais sem falar do Muhammad Yunus, economista de Bangladesh, Índia, considerado o Pai dos Negócios Sociais, ganhador do Nobel da Paz em 2006 com o Grameen Bank – também conhecido como Banco dos Pobres.

O Grameen Bank foi o primeiro banco do mundo especializado em microcrédito e nasceu do “incômodo” que Yunus sentia ao ver as artesãs da cidade de Jobra se tornarem ‘escravas’ de agiotas. Para comprar matéria prima para a produção de suas peças, pegavam empréstimos a juros altíssimos – praticamente pagavam para trabalhar, em um regime análogo à escravidão. Yunus emprestou 27 dólares para pouco mais de 40 mulheres, que o pagaram pontualmente.

Yunus descreve dois tipos de negócios sociais, duas formas de organização ou gestão:

No negócio social do tipo I, os proprietários são investidores que reinvestem todos os lucros na expansão e melhoria do negócio. Os investidores podem retirar a quantia investida a qualquer momento, mas sem nenhuma correção, nem mesmo um “índice de neutralização a inflação”.

Um negócio social do tipo II, já se assemelharia mais a uma empresa, nos moldes clássicos de distribuição de dividendos; ou seja, seria uma empresa com fins lucrativos, de propriedade de pessoas pobres, constituída “seja diretamente ou por intermédio de um fundo destinado a uma causa social predefinida”. Como os lucros são distribuídos para pessoas pobres, “tal empresa está, por definição ajudando a resolver um problema social”.

Essas definições são para distinguir um negócio social “puro” das demais formas de uso do vocábulo “social” que a gente vê hoje em dia – o que não tira, de forma alguma, o valor de outros tipos de projetos de impacto social.

O Projeto Vivart, por exemplo, mesmo não se encaixando nessas definições vem realizando um trabalho inspirador na cidade, há cerca de um ano e meio – inclusive, os olhinhos ficaram úmidos durante toda a fala deles! rs

O que eles fazem?

“Criamos camisetas com histórias reais e visões de mundo compartilhadas. Com a comercialização das camisetas, conseguimos viabilizar nosso impacto social, que tem como objetivo gerar dignidade e desenvolvimento humano para pessoas que precisam de apoio”, explica Guilherme.

Para sustentar o impacto, são Programas e Ações Sociais que visam o desenvolvimento pessoal e profissional dos envolvidos. “Além de impactar as pessoas que ajudamos, oferecemos vagas de voluntariado para as pessoas que gostam e se identificam com o projeto, conseguindo com isso, fazer a diferença também na vida deles por estarem praticando o bem sob nossa orientação”, conclui.

O começo…

“A ideia surgiu quando descobri que usar uma camiseta que me remetia a uma experiência de vida ou algo feliz era melhor que usar uma camiseta que eu simplesmente achei legal e comprei. A ideia da ajuda veio na vontade de fazer a diferença na vida de pessoas. Através das camisetas de crianças desaparecidas, estampas de pessoas que já faleceram, veio o primeiro estalo de que eu poderia fazer algo parecido, mas que remetesse ao bem e a felicidade das pessoas. Diante disso, nasceu o Projeto Vivart, criando camisetas criativas de estampas com pessoas reais e vivas com objetivo de apoiar e gerar dignidade pra essas pessoas de baixa renda. Isso despertou nas pessoas que compraram nossa camiseta a mesma sensação que eu tive no início de vestir algo que tenha um propósito maior por trás”, conta Guilherme.

Atualmente, o projeto impacta 2 famílias com 15 pessoas de baixa renda e mais de 30 voluntários ativos. O Programa Social: Negócio Social Vivart dá oportunidade para as famílias de empreender com a supervisão dos meninos e conseguir aumentar sua renda no fim do mês. “Com a família da Joelma, montamos a pizzaria que, hoje, recebe encomenda e vende mini pizzas por toda Juiz de Fora. Objetivo do programa é geração de renda, e desenvolvimento profissional e pessoal”, comenta Rafael.

Para eles, a fase mais difícil foi no início, quando o grande desafio era tornar uma fotografia real de pessoas comuns em uma estampa criativa, que despertasse vontade de compra em outras pessoas, mesmo não conhecendo o propósito.

Se você gostou e quer ajudar o Projeto Vivart a maximizar o impacto social, é só dar um confere no site e levar uma das camisetas! Tá sem grana? Então, apenas compartilhe essa história na sua rede! Vamos espalhar iniciativas do bem por aí 😉

E pra quem quiser participar do próximo MES, é só pedir pra participar do grupo no Facebook e ficar de olho na próxima data!

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