Peregrina no Camboja

O tempo passa devagar em Siem Remp, no Camboja. E mesmo que houvesse wiffi em quase todo muquifo, me sentia isolada do mundo, como que numa outra dimensão, onde nada nem ninguém pudesse me atingir.

(Foi de lá, inclusive, que “descobri” que minha casa, em Bicas (MG), onde mora minha mãe, havia sido vendida pro Danilo, jogador do Real Madrid, também de Bicas. Ao receber de uma amiga a falsa notícia – que já havia se espalhado pela cidade inteira, só consegui rir e pensar: “caralho, vou voltar sem teto! Que doido”. Tudo invenção do povo).

O que acontece é que Siem Remp me causou um conforto instantâneo, logo na chegada. As pessoas tinham feições amáveis e pareciam entender que eu acabara de passar por uma perda muito forte (meu avó materno). Não é fácil estar longe de casa numa hora dessas. Mas como as pitangas já foram choradas, me resta dizer aqui que eu saí fortalecida de mais uma.

As crianças vinham atrás de atenção e não de dinheiro como eu já estava acostumada na Índia. E aqui vale a resposta que eu sempre dou pra já comum “mas por que você vai pra esses lugares e não pra Europa ou pros Estados Unidos?”… Eu gosto é de gente, das relações viscerais, de me reconhecer no meu oposto – às vezes no meu próprio repúdio. Arquitetura tem sua beleza, a História tem seu valor, mas nada me parece tão fascinante quanto a complexidade  e as diferenças que têm esses bicho-gente.

O rolé na cachoeira era pra tirar qualquer um do luto – como sempre, revigorante e com direito a peixinhos beijando nossas canelas (puta agonia). Sou apaixonada por cachu e, se não me engano, essa foi a queda mais alta à qual já fui. Mas como sou péssima blogueira, não me lembro se eram 20 ou 50 metros.

Os templos são irados, com referências do budismo e do hinduísmo. Mas depois de visitar uns dois, o resto vair virando “mais do mesmo” – “same same, but different“, como sugere um jargão famoso na Tailândia.

Até que rolou de visitar as ruínas do Ta Prohn, que ficou famoso por ser cenário do Tomb Raider. Tinha alguma coisa viva nesse templo. Talvez, o fato da natureza se misturar com as pedras tenha feito dele o meu favorito.

Aldeia de Arroz

O rolé mais irado foi pela aldeia flutuante, onde o clichê “não é preciso muito pra ser feliz” parece querer nos afrontar, ainda que de uma forma sutil. Era fevereiro e como a estação seca vai de novembro a abril, pudemos ver a criançada amarradona brincando em terra firme, participando das aulinhas de inglês… Na época da cheia, nada disso é possível, fica tudo inundado.

O cara das fotos é o Luiz Gustavo, um amigão meu, com quem viajei por três semanas. Ao final, pudemos perceber que a modalidade trip de “casal de AMIGOS” praticamente não existe. Todo mundo achava que a gente era um casal mesmo ou que, no mínimo, se pegava”. Não sei se alguém já passou por isso, mas foi, no mínimo curioso. rs

A comida era boa. Fomos, inclusive, em um restaurante onde preparávamos a comida na própria mesa: carne de jacaré, de cobra, tubarão, polvo… Dava uma fritadinha e tey!

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