Peregrinando pelo Sertão de Minas

“Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, é uma das mais importantes obras da literatura brasileira. O romance é elogiado pela linguagem e pela originalidade de estilo presentes no relato de Riobaldo, ex-jagunço que relembra suas lutas, seus medos e o amor reprimido por Diadorim. Tudo isso em meio às paisagens do sertão mineiro.

E é justamente sobre o sertão que a Peregrina entra, mais uma vez, em uma viagem com Raquel Rezende, que refez alguns passos do personagem pelos mais lindos cenários de Minas Gerais.

Quase 260 quilômetros foi o trajeto percorrido por Raquel. A maior parte, caminhando. O objetivo é fazer a caminhada toda, mas, se por um acaso, acontecesse algo, alguém se machucar, por exemplo, há uma Kombi que acompanha praticamente todo caminho. Esse suporte dá mais tranquilidade aos turistas. A proposta da rota é a aproximação com a realidade do sertão mineiro, algo pouco acessível e conhecido pela maior parte das pessoas. De acordo com Raquel, existe um contexto marcante no sertão (não só o mineiro) que é a questão hídrica, várias veredas e rios estão secando. Sendo assim, a rota, uma proposta política e sócio-ambiental de se compreender a realidade do sertão. Para ela, o que tornou essa andança mais especial foi que 80% dos caminhantes eram mulheres, isso chamou a atenção de todos que estavam lá.

Raquel alerta que é extremamente importante a presença de um guia, é muito fácil se perder por lá. “O sertão pode nos engolir”, conta. “Ao todo, são 9 dias de rota, sendo 6 de caminhada. Saímos de Sagarana que é o primeiro acentamento da reforma agraria de Minas, e chegamos na chapada Gaúcha, no norte de Minas. As comunidades que passamos abriram suas portas com todo o coração e afeto para nos receber”.

“O sertão tem hipérboles, nos levando a extremos: Sol forte, noites frias. Caminhar por um deserto e ser recebido, posteriormente, por veredas e rios.  O maior extremo acontece dentro da gente. Nos sustentamos em grande afeto entre nós. A palavra principal para essa viagem é humildade. Entender o nosso lugar no mundo. O sertão nos mostra a todo momento o quão grande e profundo ele é, e tudo o que podemos fazer é ser humildes e aceitar que somos sustentados por esse mundo.

Para quem quiser fazer esse incrível tour, clique aqui e  fique de olho , pois todo ano é lançado um edital, no qual é preciso justificar a sua ida.

Confia a entrevista de Maruscka Grassano com Raquel Rezende e até a próxima peregrinação!

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