Paquita Gratidão: chapada de meditação

O que aprendi em 10 dias sem falar, sem ler ou escrever, sem sexo ou intoxicantes e sem atividades físicas. Conheça a técnica do Vipassana.

Eu poderia fazer a It Girl do momento e te indicar aquela base nova da MAC com partículas subatômicas de cristal ultra rejuvenescedora que você já não pode mais viver sem. Mas, não. Vou falar sobre um curso que vai te colocar sentada dez horas por dia durante dez dias pra que você observe as sensações do seu corpo. (‘Que p#rr@ é essa?’ Você deve estar pensando) e durante esses dez dias você deve permanecer incomunicável, sem falar, sem olhar, sem gesticular…De fato, é preciso uma dose de loucura para mergulhar na proposta do Vipassana.

Ainda na Índia, no final de 2014, ouvi falar sobre o curso. Um sacrifício descomunal pra quem fala até pelos cotovelos como eu – pensei.

Vipassana é uma técnica redescoberta por Buda há mais de 25 séculos, que propõe que você entre em contato com a Lei da Natureza, a lei da impermanência, através de uma experiência dentro da moldura do seu própria corpo.

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O centro Dhamma Santi, que significa “Paz do Dhamma” é o primeiro Centro de Meditação Vipassana na América do Sul e fica em Miguel Pereira, perto do Rio de Janeiro.

A técnica é um meio de libertar todos os seres do sofrimento – que tem como causa nossos desejos – sejam esses relativos às nossas paixões ou aversões.

E a gente não fica só sem falar. Sem ler ou escrever, sem usar qualquer tipo de intoxicante, sem sexo ou atividades físicas, sem comer além das refeições oferecidas e, ainda, é preciso se abdicar de qualquer tipo de comunicação com o outro. Para isso, a indicação era que andássemos sempre com a cabeça baixa, para não cruzarmos os olhares e para não matarmos nenhum ser vivo que cruzasse nosso caminho.

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Vista do meu café da manhã durante todos aqueles dez dias 🙂

Nossa rotina começava às 4h30 da manhã e terminava por volta das 21h30. A comida era vegetariana (ou vegana para quem tem intolerância à lactose) e eram servidas três refeições durante o dia.

Durante os três primeiros dias, aprendemos a Anapana, uma técnica para acalmar o turbilhão que é nossa mente através da respiração. Se fica chato? Sim, várias vezes. Senti tédio, fiquei irritada, frustrada… Controlar a mente é como domar um elefante, um exercício de paciência sem fim.

A partir do quarto dia começamos, de fato, a praticar o Vipassana. É como se você começasse a scannear todo o seu corpo, da cabeça aos pés e dos pés à cabeça, observando cada sensação em cada pequena parte  – e aprendendo a não reagir a cada uma delas. Sentada, você escolhe a posição que julgar mais confortável e se firma no propósito de se manter imóvel por uma hora. Já dá pra imaginar todas as dores e incômodos que vão querer fazer com que você reaja, né? Mas a ideia é você permanecer intacto, com a consciência de que TUDO PASSA. Essa é Anitcha – a lei da natureza, a lei da impermanência.

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No sexto dia, no horário de entrevistas com a professora, disse à ela que entendia como era possível nos livrar das nossas aversões através dessa experiência, já que durante grande parte do tempo, o trabalho era permanecer equânime diante das sensações desagradáveis – ou grosseiras, como eles chamam. Mas que não fazia ideia de como o Vipassana nos ajudaria a nos livrar dos nossos desejos (a outra fonte de sofrimento), sendo que a meditação não nos dava nenhuma sensação muito foda de boa. Ela sorriu, com aquela sutileza esperta de um budista e respondeu: “você ainda vai sentir”. E explicou que eu simplesmente não deveria me apegar à tal sensação, sabendo que mesmo ela estando ali naquele momento, ela iria passar, como tudo no Universo.

E foi batata! No sétimo dia, todas as dores foram se dissipando e deram lugar a sensações de prazer por todo o corpo (sem nenhum cunho sexual, okays?). Era como se eu tivesse acabado de correr uma maratona ou tomado qualquer substância que liberasse todas inas – endorfinas, dopaminas, serotoninas. Enfim, uma sensação BOA PRA CARALHO e inacreditável. Eu, completamente leiga no assunto, jamais poderia imaginar que a meditação pudesse causar esse tipo de efeito.

E como bem avisado, a sensação passou, algumas dores voltaram, a falta de concentração também. Mas é isso mesmo, estar SEMPRE RECOMEÇANDO, sem se frustrar com o que deu errado ou não lhe agrada e sem querer só sentir somente coisas boas o tempo inteiro.

Quem pode fazer?
Não é preciso ter experiência em meditação nem ser budista. Qualquer pessoa que que queira se livrar de suas misérias e sofrimentos é bem vinda no Vipassana.

Quanto custa?
Essa parte é muito linda. Para manter a pureza da técnica nos centros do mundo inteiro, não se cobra nada. Os professores são voluntários, bem como os servidores que cuidam da limpeza, das refeições e da manutenção do centro, que sobrevive apenas de doações daqueles que já praticaram a técnica e sentiram seus benefícios. Ou seja, o meu curso foi pago pela caridade de alguém que já havia feito antes. E assim, a gente doa de acordo com nossas possibilidades e consciência.

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No último dia, quando a gente finalmente pode falar! Aí vocês imaginam…

Esqueça tudo o que você leu nesse post!
Um dos motivos do silêncio e da não comunicação com outros estudantes é o fato de que cada experiência é única. Então, não adianta ficar comparando as suas sensações com as do coleguinha. Seu caminho é só seu.

Caso eu tenha falado alguma besteira, fiquem à vontade para me corrigir nos comentários. Sou apenas uma estudante da técnica, que provou dos seus benefícios e quer que outras pessoas comecem a se libertar de suas misérias. E se tiverem dúvidas ou experiências pra compartilhar, é só deixar aqui nos comentários!

Aqui você vai entender melhor do que se trata! Espero que gostem e que dêem uma oportunidade a essa técnica maravilhosa e, claro, a vocês!

 

 

 

 

 

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