Alice do avesso

O circo estava armado e o drama era certo. Diferenças
culturais, religiosas e até de idade e cor de pele. Roteiro perfeito
para uma novela de Glória Perez. Sem final feliz, dessa vez.

Mas como cantam nas rádios e compartilham pelo Facebook (porque Nietzschie é
pop), “o que não mata, fortalece”.

Nunca gostou de novelas e, agora, que estava de volta, gostava menos
ainda. Era romântica, mas sentia prazer nas coisas bem resolvidas e como a maioria das pessoas que querem resolver tudo, acabava trocando os pés pelas mãos, atropelando a vida que lhe oferecia um ritmo sereno e manso.

Não aguentava esperar o relógio despertar e, por vezes, chegava antes de tudo e de todos. Se sentia perdida. Por que ainda não tem ninguém?

Ora, minha, filha – enquanto eu lhe passava as mãos pela cabeça – já não te disse que tudo é no tempo de Deus?

Respirou fundo mais uma vez e se segurou pra não acender aquele cigarro que costumava fumar pela metade. Às vezes funcionava, às vezes, não. Encontrar o ponto de equilíbrio era assim mesmo – se lembrou das aulas de yoga. Não por acaso, se lembrou também que a meta do mês era exercitar o comportamento da persistência. Tinha trabalho a fazer e largou de lado o mimimi.

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