O nome daquele moço

Teve vontade de correr. Mas se conteve. Continuou sentado na mesa do bar respondendo atentamente às indagações de amigos que mais lhe soavam como uma cobrança insensata. Nunca lhe avisaram que participar, sorrir e achar graça de tudo era uma obrigação. Só fazia quanto tinha vontade – e se sentia bem assim. Não estava preocupado em sair bem na foto, mas em tocar as verdades que ninguém contava. Existia ali um mundo que não lhe pertencia mais, mas do qual não podia se desvincular. Por costume, por amor, quem sabe. Pensou em fugir novamente, mas encheu o copo – mesmo já empazinado. Tentava acompanhar as conversas paralelas, mas tudo o que figurava em sua cabeça eram setas que se cruzavam, mas que apontavam para caminhos fatalmente distintos. Acendeu um baseado. Ele gostava de estar ali, mas sabia que não fazia mais sentido. Ainda não sei o nome dele, mas poderia chamá-lo de Fernando.

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