Wine on, clothes off

Sobre um ensaio nu, o Clube da Luta e maconha estragada no angu.

“Você parecia tão decente e sensível” foi de longe o comentário mais inusitado sobre as fotos de um ensaio que fiz com meu amigo Wagner Emerich. Era pra ser um elogio, porque o cara (um indiano chato e entrão que trabalhava no mesmo restaurante que eu, na Índia) disse que as fotos estavam muito sexy, mas essa visão excludente entre uma coisa e outra babou tudo.

Elogios são sempre bem-vindos e também são interessantes os pontos de vista contrários. Me perguntaram, por exemplo, “por que você tá fazendo isso?” Eu ri, porque você acha que não tem muito o que explicar. Mas aí você vai ver que tem. Crenças opostas às nossas sempre fazem a gente entender um pouco mais sobre as pessoas e sobre nós mesmos.

Falando em pessoas, ficou ainda mais claro como elas realmente acreditam SER o papel que desempenham na sociedade (“um doutor, padre ou policial”) e representar esse papel passa a ser mais importante que descobrir quem você é de verdade! Você não é o seu trabalho, nem o carro que tem ou a roupa que veste #ClubedaLutafeelings Não seja tão limitado (pelo menos, não perto de mim).

Tipassim, gents! Eu não sou modelo, mas sou MULHER. Dá pra perceber a diferença de complexidade, de subjetividade e de poesia entre uma coisa eu outra?! Ou colocaram maconha estragada no meu angu? O fato de não ser modelo não me impede de brincar disso por um dia.

Então, fiquei pensando sobre o que me perguntaram (por que eu fiz isso)?

1 – Porque eu tava a fim, o corpo é meu e ninguém me manda!

2 – Depois de sentir na pele o que é ser diminuída pelo simples fato de ser mulher, como contei aqui, meu senso de liberdade e feminismo gritou. Meu corpo, minhas vontades, minhas regras.

3 – Gritou também a vontade de me despir completamente dessa ditadura idiota dos corpos perfeitos, que deixa grande parte das mulheres frustradas e infelizes com suas formas, em uma busca desmedida pela perfeição. O pior é quando o paramento é o corpo do outro!!! Amor, não importa o que você faça, você não vai ser a (DEUSA) Karina Cruz! Ame-se do jeitinho que você é.

Bom, esses foram meus motivos e espero que você encontre os seus – não necessariamente pra fazer um ensaio PELADONA nu, mas pra fazer algo que sempre quis fazer, mas não fez SÓ porque não era convencional.

Aliás, os convencionais que me perdoem, mas ousadia é fundamental.

Anúncios

4 comentários

  1. Concordo plenamente com vc Maruska.
    As fotos focará. Lindas!
    Mas infelizmente tem sempre um “mal amado”, p fazer uma crítica nada construtiva.
    Felicidades! Bj

      1. Olá, pessoa que prefere não se identificar! Te convido a dar uma olhada na página do fotógrafo: Wagner Emerich Fotografia.
        Tem ensaio com menina mais gordinha também 🙂 A ideia é cada um se aceitar da forma que é, encontrar sua própria beleza, sem comparações descabidas.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s