A Índia que eu vi – um ano depois

“E aí, com foi lá na Índia?”

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Num sei, só sei que foi assim…

Há pouco mais de um mês venho esboçando uma forma de responder a essa pergunta a colegas de trabalho, de copo e até de quem só me conhecia de vista e se  pegou curioso por que cargas d´água alguém vai parar na Índia!

“Ah, foi massa…”, já começava titubeando e tentando medir as palavras, dependendo do meu grau de intimidade com a pessoa. A verdade é que há meses eu vinha tentando elaborar algo sobre o país onde vivi o ano mais intenso da minha vida até agora e cara, é muito difícil.

hawa mahal pinky city jaipur india (175)

Até as fotos desse post são aleatórias. É sobre a Índia, não precisa mesmo fazer muito sentido…

A Índia é visceral e te envolve em uma relação de amor e ódio desde o primeiro contato. É como aquela paixão avassaladora que ignora todas as suas experiências passadas e joga seu currículo no lixo. A gente não se apaixona por alguém por suas qualidades. É aquele comportamento irritante, os mistérios e as dificuldades na relação que fazem com que a gente queira desvendar cada vez mais o outro. Era esse o meu apego com a Índia. Tanta coisa que não fazia sentido e eu, chata, que sempre pedia explicação pra tudo, ficava a ver navios vacas.

Costumo dizer que a Índia é um tapa na cara diário. O aprendizado é na marra e já deixo avisado pros chorões de plantão, que nem eu, que a lá é exatamente onde o filho chora e a mãe não vê.

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Se fosse um marido, a Índia te mostraria sua vocação para mulher de malandro. Você apanha, mas gosta! É uma filha adolescente, rebelde por debaixo dos véus. Você pode tentar mostrar o caminho, explica que dá pra fazer melhor, mas ela quer quebrar a cabeça, insistir no erro. Como professora, é um poço de paciência, porque você vai errar. Ela vai te dar outra oportunidade e você vai errar de novo e de novo, mas ela nunca desiste de você (ou você quem não desiste do aprendizado).

Confesso que há muitas coisas que não escrevo aqui por puro respeito aos amigos indianos que fiz e à cultura do povo em geral. É diferente eu contar certos aspectos da cultura para alguns amigos mais próximos que me conhecem ou correr o risco de soar antipática nessa rede maravilhosa chamada internetssss…

A Índia que eu imaginava, aquela coisa zen, espiritualizada, é só mesmo nos pacotes turísticos. Você vive em uma selva de pedra, em  meio ao caos – e a chance de que você se torne apenas uma extensão dessa balburdia é grande (e acontece em certos momentos). Até que você, novamente, encontra seu ponto de equilíbrio e percebe, graças a Deus, a Ganesh ou a Shiva, que toda essa confusão não está acontecendo com você, mas ao seu redor.     hawa mahal pinky city jaipur india (188)

A única certeza que fica é que a Índia não é um lugar sobre o qual devemos apenas ouvir ou ler.  A Índia é sentimento à flor da pele, é explosão de vida e morte gritantes, pronta para ser vivida por gente atrevida!

Qualquer dia volto a falar mais…

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