Trabalhar na Índia

6 coisas sobre os meus 6 meses de proletária indiana.

Já tem algum tempo que venho pensando em escrever esse post, principalmente porque muita gente vem me perguntar sobre o assunto e agora, com quase 6 meses de Índia, me considero com alguma autoridade para falar a respeito.

Antes de qualquer coisa, gosto de me precaver dizendo que isto não é uma generalização e o que conto aqui é baseado nas minhas experiências e nas de meus colegas intercambistas – o que nos fornece uma ideia, mas NEVER uma generalização, combinado? Aposto que muito desses fatos não são verdadeiros para alguns.

Trabalhar na Índia não é fácil, mas também não é difícil. “Ah, ok, Maruscka, agora tudo faz sentido pra mim”. Hahaha Calma, gente, eu explico. Hoje consigo perceber que estar do outro lado do mundo é realmente estar do outro lado, é tudo muito diferente e isso se aplica ao trabalho, claro. Abaixo, listei os aspectos que mais chamaram a minha atenção.

1 Explora a nega!
Oito horas de trabalho é o mínimo que você consegue por aqui e jogue as mãos para o céu se você tiver dois dias de folga por semana. Horário de almoço, geralmente, é de 15 minutos a meia hora e se chegar atrasado eles cortam parte do seu salário. Nós, estrangeiros, estamos aqui por opção, então é mais fácil jogar tudo pro alto se você ficar de saco cheio. Já os trabalhadores indianos estão presos a esse sistema e se for mulher, então, mais difícil ainda. Dia 02 de outubro, por exemplo, é feriado nacional na Índia (niver de Mahatma Gandhi), quando ninguém deveria trabalhar, né? Mas algumas empresas, simplesmente ignoram a data e nem mesmo pagam extra aos empregados. Eu entendo que o ócio, principalmente em uma sociedade carente de educação pode ser muito perigoso, mas por outro lado, essas pessoas não tem muito tempo para empreender e ‘subir na vida’.  Uma vez brinquei que até um cara da direita mais ortodoxa do Brasil, veria sua veia marxista pular trabalhando por apenas 3 meses para os caras daqui. Lembrando que o país está no topo no relatório Índice de Escravidão Global 2013, da Fundação Walk Free.

maruscka grassano trabalhar na india

 2 Tédio: tá tendo
Você fica muito tempo na empresa, mas nem sempre tem muito o que fazer. Tem intercambista, inclusive, que meses fazendo absolutamente NADA. Ser pró ativo e sugerir coisas novas também não funciona muito por aqui em alguns casos. Inovar dá trabalho, né, gente? E trabalho dá uma preguiça…

3 Chefia sossegada
Essa foi uma impressão que eu tive desde o começo e acabei percebendo que não era só minha. Ao contrário do Brasil, onde os chefes, muitas vezes, trabalham mais que os próprios empregados, aqui a coisa muda de figura. Quem tem um negócio na Índia, geralmente já nasceu em berço de ouro (lembrando que a desigualdade social aqui é num nível muito além do nosso) e não precisa ralar muito. Tem um monte de mula pra trabalhar pra eles (inclusive a gente), vai se preocupar pra quê?

4 Belezura de prestação de serviços
Muita gente trabalha com marketing aqui e uma reclamação é recorrente: “como vou fazer o marketing da empresa se o serviço/produto é lambão?”. Se vira nos 30, parça!

5 Comodismo dos funcionários
Esse item tem muito a ver com o anterior e com a quase impossível mobilidade social a qual mencionei no item 1. A falta de incentivo aos colaboradores acaba criando um ambiente de comodismo, sem aquela competitividade saudável. Eles sabem que não serão promovidos, que não vão ganhar mais – às vezes nem um elogio – por fazerem um trabalho bem feito.

6 Chefes x líderes
É difícil ver um chefe como uma fonte de inspiração aqui. Entre os casos que rondaram meu círculo de amigos, chefe que deu em cima de funcionária, chefe que não trabalha, chefe arrogante…

De qualquer forma, é impossível não desenvolver algumas habilidades aqui, principalmente no que se refere a ter jogo de cintura e a saber lidar com isso tudo. Pra quem tá com foco total em se profissionalizar na sua área de interesse e quiser mesmo vir pra Índia, provavelmente terá mais sucesso em grandes centros, como Mumbai ou Delhi. Mas, se como eu, o trabalho é só uma desculpa para poder viajar, se conhecer melhor, seguir sua intuição e bla bla bla, pode vir quente que essa Índia é um tapa na cara diário. Aqui a gente é desafiado todos os dias a repensar ideias, valores, comportamentos e se a gente bate muito o pé, a Índia sempre dá seu jeito de nos tirar da caixa.

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