A Índia que eu vi (II)

Um relato sobre adaptação, cotidiano e auto-conhecimento cinco meses depois. Por Leonardo Battezini.

18 de Dezembro de 2013, desembarco em Nova Delhi, após 48 horas de vôo. Tudo me impressiona, o cheiro, as pessoas, a língua, a movimentação. O desespero  toma conta de mim. Como eu vim parar aqui? Por que eu escolhi a Índia? Eu tinha tudo no Brasil, era muito feliz. Entro no ônibus com destino a Jalandhar, tapo o rosto com a camisa pois não consigo aguentar o cheiro. Enfrento mais 9 de ônibus, as estradas me lembram filmes de terror. A partir daí, o desespero começou. Foi uma semana de muito medo, muitas dúvidas e de uma única certeza: eu não poderia desistir. Com a minha chegada na Índia eu descobri que tudo na vida o ser humano se adapta, e em qualquer situação, conseguimos encontrar felicidade e, devagarinho, fazer com que as coisas melhorem. Toda situação não possui uma descrição fixa, você a descreve, e escolhe como ela vai ser. Seja boa ou ruim. O controle de qualidade dos acontecimentos da sua vida esta na sua mente.

leonardo battezini india

Passado o sufoco da adaptação, passei a ser muito feliz com essa experiência. Por  6 semanas fui professor voluntário de matemática em uma ONG que trabalha com crianças extremamente carentes. Durante os finais de semana pude viajar pelo Norte do subcontinente. Foi o momento em que mais aprendi em minha vida. Conheci pessoas incríveis e aprendi muito com todas aquelas diferenças. Morávamos entre mais de 15 pessoas, nacionalidades dos 5 continentes. O banho era de balde pois não havia chuveiro, e a limpeza da casa era absolutamente precária, pouco importava, todos nós estávamos lá por uma causa maior e a harmonia tomava conta do lar. Passada esta parte, vim para o Sul estagiar em uma empresa de Marketing Digital. Uma startup de 100 funcionários. Outra experiencia que vem sendo muito boa para meu crescimento profissional e pessoal. Viagens nos finais de semana fazem parte de minha rotina, exploro o máximo que posso esse país incrível.

ganges haridwar

Em suma, esta foi minha chegada e os dois projetos dos quais participei e participo. Eu incentivo qualquer pessoa do mundo a vir para a Índia. E um país incrível, muito espiritual, muito diferente de tudo que conhecemos, com uma terrível culinária e com destinos fantásticos. Muito sujo e muito religioso. Em nível de assalto, extremamente seguro, em nivel de estupros e desrespeito à mulher, extremamente deficiente.

rio ganges

Aqui você alcança um nível alto de auto-conhecimento, reflexão sobre teorias e reavaliação de valores pessoais. Sou outra pessoa desde que cheguei e aprendo mais e mais a cada dia que se passa aqui. O povo lhe ensina muito, o governo lhe faz valorizar o governo brasileiro (risos), as estradas daqui dão saudade dos buracos da Tabaí, e a espiritualidade do povo lhe gera angústia da nossa alienação capitalista. Tudo é muito diferente. No trânsito não existem leis, é cada um por si e Shiva por todos. Em pleno século 21, jovens tem seus casamentos arranjados pela familia, indiferente de quem gostam ou não. Com exceção das grandes metrópoles, a vida noturna termina próximo da meia noite. É proibido beber na rua. As pessoas jogam lixo no chão na maior tranquilidade do planeta, não há problema algum nisso. Jogam lixo no chão dentro do próprio estabelecimento. Aqueles com uma classe social um pouco inferior não usam papel higiênico, eis o motivo de nunca lhe estenderem a mão esquerda. Carne de vaca é extremamente proibido, você encontra em poquíssimos lugares, e na maioria das vezes é carne de búfalo. O país tem 1,2 bilhões de pessoas, 28 estados e 21 línguas oficiais: imagine como funcionam aqui logística e informação. Uma verdadeira bagunça, e no meio dessa bagunca, os indianos se entendem perfeitamente.

manali

Difícil descrever a Índia, seu turismo, sua política, sua economia. Isso leva mais de uma página, mais de um livro, mais de uma enciclopédia. Para quem quer realmente entender esse universo, a única maneira é comprar a passagem e viver esta realidade, que se eu tiver que definir em uma unica palavra, seria: íncrivel.

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