Cheia de prosa

Júlia Furiati vem nos contar sobre o lançamento do seu primeiro livro – Clareou! – com prosa, poesia e todo o sentimento do mundo.

Não sei ao certo de quantos personagens nos vestimos diariamente para poder levar a vida do jeito que nos disseram que tinha que ser. Eu tenho vários, você também e a gente nem se dá conta. A Júlia (a Furiati) também tem os dela: de turismóloga não praticante, de especialista em gestão de negócios e até de servidora pública do Ministério Público Federal. Nas horas vagas, ela se despe disso tudo pra ser só a Júlia, a Júlia que ela quiser, escrevendo prosas e fazendo poesia.

juliafuriati mar

Dessa mania de ser ela… Clareou! E esse mundo mais “claro”, às vezes é criado, imaginado ou mesmo adaptado. Mas não é só dela, Clareou! pra gente também. Ela conta melhor…

Como nasce um poeta – ou melhor, uma poetiza

“A leitura está presente na minha vida desde sempre, quando criança, gostava de ficar quieta no meu canto, lendo, ouvindo as pessoas contarem histórias e imaginando as minhas próprias. Achava incrível a ideia de um livro ou um gibi me proporcionarem “viagens” por mundos, culturas e pessoas completamente diferentes de mim, com o passar dos anos, esse hábito acabou virando vício. A poesia veio definitivamente para minha vida quando comecei a ter aulas de literatura no colégio. Era incrível ouvir explicações dos professores sobre os versos, era incrível ver como eles demonstravam as dores, aflições, encantamentos e desgraças dos poetas, falavam do contexto histórico daquilo tudo. Então, literatura, política, geografia, língua portuguesa e história, passaram a caminhar juntas na minha cabeça, tudo se dava através de associações. Anos mais tarde, percebi que a poesia permite que se fale tudo, que se conte uma vida toda, em apenas alguns versos. E que esses versos são carregados de todo o sentimento do mundo. A prosa vem naturalmente! Não existe um trabalho específico em cima dela, é basicamente sentar confortavelmente e deixar os dedos agirem no teclado. Depois que tudo foi colocado pra fora, é hora de ajustar. Cortar repetições, corrigir o texto, pontuar, torná-lo coeso.”

clareou

A criadora e suas criaturas

“O processo criativo é um pouco penoso para mim, a ideia simplesmente aparece e eu preciso escrever naquele momento, senão perco o fio da meada. Quantas vezes já fiz poemas lindos na minha cabeça, mas que nunca foram para o papel? Eu não sei controlar a intensidade da inspiração, e isso torna as coisas um pouco mais difíceis, afinal, o personagem que invento, passa a ser parte de mim, me sufoca, e eu sinto todas as dores dele. Mesmo tendo plena consciência da inexistência real daquilo. Vejo uma pessoa pela rua e imagino sua vida toda. Sai dali um personagem, que precisa logo ir para o papel, senão acabo carregando aquilo comigo o dia todo. E é exatamente por isso que gosto de mortes nos finais das histórias, porque, dessa maneira, eles saem completamente de dentro de mim, abrem espaço para outros chegarem. Acredito no amor como forma de transformação do mundo, por isso ele sempre é meu assunto preferido. Amor e suas diferentes formas de manifestações, de todos os jeitos, o tempo todo, todos os dias. Simplesmente amar uns aos outros. Também gosto de falar da própria atividade de escrever, de como ela me mantém sã no meio de tudo. A escrita liberta e enterra e depois que o autor coloca tudo para fora, aquilo deixa de pertencer a ele e ao seu mundo e passa a pertencer a todos. O que eu escrevo é de responsabilidade minha, o que você lê e entende, é problema seu e isso é interessantíssimo.”

julia furiati blog clareou

Sem vergonha

“Sempre tive muita vergonha de mostrar as coisas que eu escrevia, tenho muito medo das críticas e de parecer ridícula, tenho medo da exposição que isso gera e da mania das pessoas associarem tudo que está escrito com a sua vida pessoal. É preciso separar muito bem essas coisas. Às vezes o que está escrito é sim fruto das suas experiências, mas muitas das vezes é puramente imaginação, invenção. Em meio a todos esses receios, nunca imaginei que seria capaz de me expor tão completamente a ponto de ter meus textos na internet, para quem quisesse ler. Mas em outubro de 2012 meu blog, o Clareou (amanheceaqui.wordpress.com) entrou no ar. E hoje já bateu 15 mil visitas. (Se para internet isso é muito pouco, para meu coração isso é mais que o mundo inteiro), essa exposição toda me fez enfrentar as críticas de maneira mais serena”.

juliafuriati clareouMas a grande verdade disso tudo é que eu acho que preciso caminhar muitos e muitos quilômetros para me tornar uma boa escritora de verdade. Por enquanto estou apenas tentando, estou caminhando. E, de fato, dei o primeiro passo.

No final do ano passado, meus pais e meu irmão, pegaram o projeto do livro que eu fiz, com alguns textos do blog e outros inéditos e bancaram a publicação, com o mesmo nome do blog (Clareou), o livro será lançado nesse sábado, dia 8 de fevereiro, em Juiz de Fora, no São Bartolomeu.

O que espero desse lançamento? Espero que as pessoas fiquem felizes lendo o meu livro. “A felicidade só é real quando compartilhada”, por isso faço tanta questão de ter as pessoas que amo por perto, para tentar fazê-las mais felizes e para ser mais feliz também.

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5 comentários

  1. Adorei a matéria! Poesia…Prosa…sentimentos…amor…a gente precisa disso…o mundo precisa tbem!!! Escrever com amor…é isso que sinto lendo o Clareou!!! Escreva sempre Julia Furiati!

  2. Siga em frente, Júlia! Vc escreve com a alma e isto nos faz mais felizes quando lemos seus textos!! Eseja em prosa ou seja em verso, vcé toda coração!! Parabéns, muito sucesso!!!!!

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